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Por que precisamos falar sobre suicídio?

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Em maio deste ano, o site Hollywood Reporter confirmou que a série 13 Reasons Why teria uma segunda temporada que chegará à Netflix em 2018.

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A personagem Hannah Baker é interpretada pela atriz Katherine Langford

Os novos 13 episódios tratarão dos acontecimentos após a morte de Hannah e a recuperação dos outros personagens.

A notícia levantou novamente o debate em torno da série, devido ao fato de seu tema central ser o suicídio de uma adolescente.

O ponto negativo apontado pela maioria das pessoas é a forma, um tanto quanto, romantizada do suicídio e que isso poderia servir de “gatilho” para que jovens e adolescentes façam a mesma coisa. Esse comportamento pode ser chamado de Efeito Werther ou Efeito de Imitação, ambos descritos pela psicologia.

Fernanda Delmondes Gimenez é psicóloga e pós graduada em Psicoterapia de Orientação Psicanalítica pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) de Campo Grande-MS. A profissional diz ser de extrema importância inserir no cotidiano não só dos jovens o debate de assuntos considerados tabu.

“É imprescindível falar sobre o tema, pois geralmente os problemas ocorrem quando as pessoas vão parando de compartilhar seu sofrimento e deixando de discutir suas mazelas. O aumento da experiência de solidão e isolamento pode ter um efeito de aumentar a intensidade dos impasses que nos atravessa e das angústias que sofremos” diz.

A profissional acredita que a popularidade de 13 Reasons Why se deu ao fato de as pessoas se identificarem com a história retratada, que além do suicídio discute o bullying e agressão nas escolas. E que essa identificação pode não ter sido algo ruim.

“Talvez tenha despertado um olhar empático sobre a dor do outro e a importância de acolhermos e compreendermos os nossos sentimentos. O sofrimento emocional é real e negá-lo não o fará desaparecer” afirma.

Não é a primeira vez que o suicídio é abordado em produções artísticas, bem como lembra Fernanda “William Shakespeare nos contemplou com a tragédia de Romeu e Julieta.

Já 1969, foi lançado o filme “Duplo Suicídio em Amijima”, em que novamente o suicídio é abordado no contexto de uma história de amor. Podemos também vislumbrar o tema na canção “Construção” de Chico Buarque de Holanda”, relembra.

Coincidência ou não, nos exemplos citados pela profissional, em especial o filme e o livro, o assunto é abordado dentro de uma narrativa romântica, em que os personagens após não alcançarem a felicidade ao lado da pessoa amada em vida, não vêem outra alternativa senão ficarem junto dela após a morte.

Talvez seja nesse tipo de contexto que a abordagem do tema seja problemática, afinal não se pode resumir problemas psíquicos a amores não concretizados.

Nesse aspecto a série se distancia um pouco dessas narrativas, já que o suicídio da personagem Hannah se deu devido a diversas situações relacionadas a outros personagens.

Mesmo assim o assunto é polêmico e divide opiniões, a psicóloga Fernanda assistiu a série e reforça:

“O formato de seriado não impede a expressão criativa da sensibilidade humana. Falar sobre suicídio pode ser um bom caminho para a reflexão” finaliza.

 

Suicídio no Brasil

Segundo dados inéditos do Mapa da Violência 2017 obtidos pela BBC Brasil, em 12 anos a taxa de suicídios no Brasil, na população de 15 a 29 anos, teve um aumento de 10%.

Em 2002 o índice era de 5,1 para cada 100 mil habitantes e saltou para 5,6 em 2014.

Se formos analisar os números absolutos, foram 2.898 suicídios no ano de 2014 mas, o número parece insignificante se comparado ao índices de homicídio. No mesmo ano foram 30 mil mortes.

Nós sabemos de todos os problemas que estão por trás dos homicídios, mas o enorme sofrimento que é pano de fundo para o suicídio também merece atenção.

É necessário que o tema deixe de ser um tabu e passe a ser discutido abertamente entre núcleos de todas as idades.

 

É preciso propagar a empatia pelo sofrimento do outro

No último dia 20 de julho, o vocalista da banda de rock Linkin Park, Chester Bennington de 41 anos foi encontrado morto em sua casa perto de Los Angeles na Califórnia (EUA). A notícia pegou todo mundo de surpresa, pois apesar de ser público os problemas com drogas e a depressão, Chester não aparentava estar passando por um momento difícil.

O parceiro de banda e amigo Mike Shinoda disse em uma entrevista que Chester ficou extremamente abalado com o suicídio de Chris Cornell vocalista da banda Soundgarden e Audioslave. Bennington e Cornell eram muito amigos desde 2007 e no dia 20 de julho Chris completaria 53 anos.

A morte de Chester levantou a bandeira da empatia, vários fãs e até pessoas que não apreciavam suas músicas, pediram para que a dor e o sofrimento do outro não fossem menosprezados nem banalizados. É essencial que este debate venha à tona, para que cada vez mais as pessoas entendam que depressão ou qualquer outro problema de ordem psicológica e psiquiátrica não é frescura e nem porque a pessoa quer chamar atenção.

É preciso empatia para que possamos enxergar no outro que algo não está bem e poder orientar quem amamos a procurar ajuda profissional, só assim os índices de suicídios podem parar de crescer.

Confira também:

 

O Centro de Valorização da Vida (CVV), fundado em 1962 em São Paulo, faz um apoio emocional e preventivo do suicídio pelo número 141. A ligação é gratuita.Clique para Twittar


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