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Mestre dos Mestres: Trecho de Análise da Inteligência de Cristo

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Trecho do livro Análise da Inteligência de Cristo – vol. 1 de Augusto Cury

O que chama a atenção nas biografias de Cristo são seus comportamentos incomuns, seus gestos que extrapolam os conceitos, sua capacidade de considerar a dor de cada ser humano mesmo diante da sua própria dor. […]

As reações de Cristo realmente contrapõem-se aos nossos conceitos, estereótipos e paradigmas (modelos de compreensão e padrões de reação). Vejamos sua entrada triunfal em Jerusalém.

Após ter percorrido por um longo período toda a região da Galiléia, inúmeras pessoas o seguiam. Agora, havia chegado o momento de entrar pela segunda e última vez em Jerusalém, o grande centro religioso e político de Israel. Naquele momento, Cristo estava no auge da sua popularidade. As pessoas estavam eufóricas e o proclamavam como rei de Israel. Alguns discípulos, que àquela altura ainda não estavam cientes do seu desejo, até disputavam quem seria maior se ele conquistasse o trono político. Os discípulos e as multidões estavam extasiadas. Entretanto, mais uma vez ele teve uma atitude imprevisível que chocou a todos.

Quando todos esperavam que ele entrasse triunfalmente em Jerusalém, com uma grande comitiva e pompa, tomou uma atitude clara e eloqüente que demonstrava que rejeitava qualquer tipo de poder político, pompa e estética exterior. Ele mandou alguns dos seus discípulos pegar um pequeno animal, um jumentinho, e teve a coragem de montar naquele desajeitado animal. E foi assim que aquele homem superadmirado entrou em Jerusalém.

Nada é mais satírico e desproporcional do que o balanço de um homem transportado por um jumento… O animal é forte, mas é pequeno. Quem o monta não sabe onde colocar os pés, se os levanta ou os arrasta pelo chão.

Que cena impressionante! As pessoas, mais uma vez, ficaram chocadas com o comportamento de Cristo. Mais uma vez ficaram sem entendê-lo. Os seus discípulos, que estavam tão eufóricos com tanto apoio popular, receberam um “balde de água fria”. Porém, as pessoas, confusas e ao mesmo tempo admiradas, colocavam suas vestes sobre o chão para ele passar e o exaltavam como o rei de Israel.

Elas queriam proclamá-lo um grande rei e ele demonstrava que não queria nenhum poder político. Queriam exaltá-lo, mas ele expressava que para atingir seus objetivos, o caminho era a humildade, era preciso aprender a se interiorizar. Cristo propunha uma revolução que se iniciava no interior do homem, no secreto do seu ser, e não no exterior, na estética política. É impressionante, mas ele não se mostrava nem um pouco preocupado, como geralmente ficamos, com aparência, poder, status social, opinião pública.

Imaginem o presidente dos EUA, no dia da sua posse, solicitando aos seus assessores que arrumem um pequeno animal, como um jumento, para ele entrar na Casa Branca. Certamente esse presidente seria encorajado a ir imediatamente a um psiquiatra. A criatividade intelectual não consegue criar uma personalidade que possui uma inteligência requintada e, ao mesmo tempo, tão despojada e humilde.

Uma pessoa, no auge da sua popularidade, explode de orgulho e modifica o padrão das suas reações. Algumas, ainda que humildes e humanistas, ao subir num pequeno degrau da fama olham o mundo de cima para baixo e se colocam, ainda que inconscientemente, acima dos seus pares.

Cristo estava no ápice do seu sucesso social, todavia, ao invés de se colocar acima dos outros, ele desceu todos os degraus da simplicidade e do despojamento, e deixou todos perplexos com sua atitude. Se caminhasse a pé seria mais digno e menos chocante. Porém ele preferiu subir num pequeno animal para estilhaçar os paradigmas das pessoas que o contemplavam e abrir as janelas das suas mentes para outras possibilidades.

Qualquer presidente do mais miserável dos países entraria com mais pompa e estética na sede do seu governo. As características da personalidade de Cristo realmente ultrapassavam os limites da criatividade intelectual humana. Ele surpreendia até os biógrafos que conviveram com ele. A personalidade de Cristo foge aos parâmetros da imaginação. Sua inteligência flutuava entre os extremos. Em alguns momentos expressava uma grande eloqüência, coerência intelectual e segurança e, em outros, dava um salto qualitativo e expressava o máximo da singeleza, resignação e humildade.

Cristo possuía uma personalidade tão requintada que se expressava como uma melodia que rimava entre os extremos das notas musicais. Conheço muitas pessoas, entre elas psiquiatras, psicólogos, intelectuais, cientistas, escritores, empresários. Entretanto, nunca encontrei ninguém cuja personalidade possuísse características tão surpreendentes como a dele.

[…]

No passado, Cristo era para mim fruto da cultura e da religiosidade humana. Porém, após anos de investigação, convenci-me de que não estou estudando a inteligência de uma pessoa fictícia, imaginária, mas de alguém real, que andou e respirou nesta terra. É possível rejeitá-lo, todavia se investigarmos as suas biografias não há como negar a sua existência e reconhecer a sua perturbadora personalidade. A personalidade de Cristo é “inconstrutível” pela imaginação humana.


Trecho do livro: Análise da Inteligência de Cristo – vol. 1
de Augusto Cury.

 


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