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Incidência do Câncer da Tireoide aumentou na última década

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O aumento no número de casos de pessoas com problemas de tireoide chama a atenção e leva ao alerta para que os sintomas da doença sejam detectados o quanto antes, principalmente o câncer da tireoide que teve um aumentou em 10% na sua incidência na última década, embora a mortalidade esteja estável.

O médico cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e coordenador do encontro, Dr. Erivelto Volpi, explica que

“o câncer de tireoide é comumente diagnosticado em uma idade mais jovem do que a maioria dos outros tipos de câncer em adultos. Aproximadamente, 2 em cada 3 casos são diagnosticados em pessoas com menos de 55 anos de idade e cerca de 2% dos casos de câncer de tireoide ocorrem em crianças e adolescentes”.

Recentes pesquisas apontam ainda que aproximadamente 10% da população adulta tem nódulos da tireoide e, desse número, cerca de 90% são benignos.

No entanto, segundo dados do INCA – Instituto Nacional do Câncer, em 2017, serão registrados mais de 6 mil casos de câncer da tireoide, repetindo a estimativa de 2016.

“O número total é pequeno em relação a outros tipos de câncer, mas já é o suficiente para prestarmos atenção a um problema que, muitas vezes, passa despercebido pela maioria das pessoas, principalmente das mulheres”, diz Dr. Erivelto Volpi.

O médico reforça, ainda, que esse tipo de câncer já é o quinto mais frequente no sexo feminino, sendo o alto risco de incidência na fase reprodutiva.

“É importante ressaltar que, embora seja mais frequente nas mulheres, a doença afeta também os homens, sendo o 17º mais prevalente entre o sexo masculino”.

Riscos

Dentre os fatores de risco para esse tipo de câncer estão o histórico familiar e a exposição à radiação.

Na última década, a incidência do câncer da tireoide em todo o mundo cresceu 10% em todas as faixas etárias. Segundo Dr. Volpi, o fato se deve ao maior acesso ao diagnóstico, entre outros fatores.

Porém o especialista diz que há estudos recentes sobre disruptores endócrinos – substâncias químicas que interferem no sistema hormonal, alterando a forma natural de comunicação do sistema endócrino -, e que podem ser uma das causas do aumento da incidência do câncer da tireoide.

Tratamento

A boa notícia é que se diagnosticado precocemente, aumentam as possibilidades cura.

No entanto, cerca de 20% dos pacientes com câncer da tireoide recebe o diagnóstico já em estágio avançado, porque, muitas vezes, os sintomas acabam passando despercebidos ou confundidos com outros problemas de saúde.

“A investigação adequada de um nódulo maligno pode ser decisiva na vida do paciente, porque quando tratado no início, o câncer da tireoide tem ótimas chances de cura e evita que as células cancerígenas se espalhem para outras partes do organismo”, explica Dr. Volpi.

A cirurgia para a remoção dos nódulos anormais (tireoidectomia) é a principal forma de tratamento.

Após a cirurgia, o paciente passa a tomar hormônios para substituir os que não podem mais ser produzidos pela tireoide e, dependendo da avaliação médica, o tratamento é estendido com terapias contendo iodo radioativo.

Nova classificação

Há quatro tipos classificados de câncer da tireoide: o Papilífero, o Folicular, o Medular e o Anaplásico.

O ano passado foi divulgado um estudo no Hospital Alemão Oswaldo Cruz sobre o carcinoma papilífero folicular encapsulado não invasivo, considerado até então maligno, que recomendou que seja classificado como benigno.

“Com o desenvolvimento do conhecimento e com a mudança dos conceitos, pode ser que daqui a algum tempo, talvez, nem seja necessário operar esse grupo de paciente”, acrescenta Dr. Volpi.

 

 

Sobre o Dr. Erivelto Volpi – Dr. Erivelto Volpi é médico cirurgião de cabeça e pescoço do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e coordenador do curso de medicina da Faculdade de Medicina da Uninove – Campus São Bernardo do Campo.


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