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Sri Aurobindo e O Espírito Revolucionário

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Sri Aurobindo  (1872 – 1950) foi poeta, pensador yogue e mestre espiritual indiano. Dotado de poderosa e abrangente visão de síntese, integrou os modos de consciência do Oriente e do Ocidente.

Sri Aurobindo
Sri Aurobindo

Formulando os princípios de um Yoga Integral, anunciou e preparou, em escala individual e coletiva,  a manifestação iminente de um grau de consciência até então imanifesto, a Supramente, ou a Consciência-Verdade, na qual se integram dinamicamente o indivíduo e o todo, a Matéria transformada e o Espírito.

Foi educado na Inglaterra, posteriormente tornando-se um líder para a libertação da Índia do domínio Britânico. Começou a praticar o Yoga não apenas como um trabalho espiritual, mas para obter uma força interior para uso nos bastidores da cena política. Como progrediu muito rapidamente no Yoga, decidiu deixar o movimento revolucionário para dedicar-se integralmente ao Yoga.

Seus textos não são o resultado de um trabalho intelectual, mas relatos de suas próprias experiências espirituais. A partir destas, formulou, entre outros, sua “Síntese do Yoga”, ou o “Yoga Integral” onde unifica os princípios das diversas linhas de yoga em um todo harmônico e coerente.

Essencialmente, Aurobindo diz que a evolução ainda não terminou, que um novo princípio de consciência deve emergir, a Supramente, e o Yoga é uma tomada de consciência e um auxiliar conscientemente a Natureza em seu processo evolucionário.

Não-Violência e Luta

A peculiaridade do pensamento de Sri Aurobindo é ressaltada na questão da Não Violência, característica de todas as formas de Yoga. Sri Aurobindo sustenta que em algumas situações a violência pode ser necessária. Em 1942 foi o único entre todos os mestres espirituais indianos que insistiu que era o dever da Índia juntar-se à Inglaterra na luta contra os Nazistas, pois o processo evolucionário poderia ser significativamente retardado por aquilo que ele chamava “os poderes da escuridão”.

Quando Sri Aurobindo disse: “Eu não sou nem um moralista impotente nem um pacifista débil”, estas palavras estavam impregnadas de sentido. Havia penetrado com profundidade a historia da Europa e a das grandes revoluções da Europa e da América, para saber que a rebelião armada pode ser justa; nem Joana D’Arc nem Mazzini nem Washington foram apóstolos da “não-violência”.

Quando o filho de Gandhi visitou-lhe em Pondichery em 1920 e falou-lhe de não-violência, Sri Aurobindo respondeu-lhe com esta simples pergunta, certamente muito atual: “O que fariam vocês se amanhã fossem invadidas as fronteiras do Norte?”.

Vinte anos mais tarde, em 1940, Sri Aurobindo e a Mãe se declaravam a favor dos aliados na Segunda Guerra Mundial, ao passo que Ghandi, movido por um impulso, sem dúvida alguma “digno de virtuosismo”, escrevia uma carta aberta ao povo inglês, indicando-o a não levantar as armas contra Hitler e que apelassem somente à “força espiritual” em caso de invasão alemã.

A posição adotada por Sri Aurobindo de apoio total à Inglaterra nesta guerra, não podia ser compreendida na Índia de 1940, dominada ainda pela potência colonial; não podiam entender como o líder revolucionário que havia encabeçado a rebelião contra a potência ocupadora, agora se colocava a seu lado. Devemos, pois, precisar a visão espiritual do yogue revolucionário Sri Aurobindo quanto a seu conhecimento sobre a Consciência-Verdade da ação violenta, assim expressou-se em uma carta-resposta à iniciativa de Ghandi de não intervenção do povo inglês:

A guerra e a destruição – diz – constituem um princípio universal que governa não só nossa vida puramente material aqui embaixo, senão ainda nossa existência mental e moral. É de toda evidência, praticamente, que em sua vida intelectual, social, política e moral, não pode o homem avançar, sem luta alguma, um só passo; uma luta entre o que existe e vive e o que trata de chegar a ser e a viver, e entre tudo quanto se acha atrás de um e do outro. É impossível, ao menos no estado atual da humanidade e das coisas, avançar, crescer e realizar-se e, ao mesmo tempo, observar real e absolutamente o princípio de inocência que se nos propõe como a melhor e mais elevada norma de conduta. Empregaremos nós somente a força da alma e não destruiremos nunca nada pela guerra nem ainda pela violência física para defender-nos? Até aqui estamos de acordo.

Pois enquanto as forças da alma alcançam a eficácia necessária, as forças demoníacas nos homens e nas nações dividem, derrubam, assassinam, incendeiam e violam, como hoje o vemos; poderão então fazê-lo comodamente e sem estorvos, e vós havereis causado talvez com vossa abstenção a perda de tantas vidas como os outros com sua violência… Não basta ter as mãos limpas e a alma imaculada para que a lei da batalha e da destruição desapareça do mundo; é primordial que enquanto forma sua base desapareça primeiro da humanidade a imobilidade e a inércia que recusam empregar os meios de resistência ao mal ou que são incapazes de servir-se deles, não recorrerá à lei, nem muito menos.

Em realidade, a inércia causa um dano maior que o princípio dinâmico da luta, que cria, ao menos, mais do que destrói. Em consequência, desdenhar o ponto de vista da ação individual, abster-se da luta em sua forma física mais visível e da destruição que a acompanha de modo inevitável, nos dá talvez uma satisfação moral, mas deixa intacto o Destruidor das criaturas.

E se nossa abstenção deixa ileso o Destruidor das criaturas, tão pouco nossas guerras o deixam suprimido, ainda que praticamente seja necessário manchar-se nelas as mão. No meio da primeira guerra mundial fazia observar Sri Aurobindo com força profética:

A derrota da Alemanha… não basta para extirpar o espírito que na Alemanha se encarna; provavelmente se produzirá uma nova encarnação do mesmo espírito em outra parte, em outra raça ou em outro império e será necessário então livrar uma vez mais a batalha.

Todas as velhas forças estão vivas e não serve de nada quebrar ou abater o corpo que eles animam, porque muito bem sabem transmigrar. Alemanha abateu o espírito napoleônico em 1813 e demoliu os restos da hegemonia francesa na Europa em 1870; esta própria Alemanha veio a ser a encarnação do que ela mesma havia abatido. Facilmente pode o fenômeno repetir-se em uma escala muito maior.

Hoje podemos comprovar como as velhas forças sabem transmigrar.

O próprio Gandhi, vendo que todos os anos de não-violência acabaram nas terríveis violências que caracterizaram a divisão da Índia em 1947, observava com tristeza pouco antes de sua morte: “O sentimento de violência que secretamente temos alimentado, volta-se sobre nós e nos dirige golpes quando se trata de compartilhar o poder… Agora que foi sacudido o jugo da escravidão, todas as forças do mal saem à superfície”. Porque nem a não-violência nem a violência alcançam a fonte do Mal.

Sri Aurobindo e a Segunda Guerra Mundial

Em plena guerra de 1940, pelos mesmos dias em que abraçava o partido dos Aliados porque, “praticamente”, assim era necessário proceder, Sri Aurobindo escrevia a um discípulo:

Você crê que o que ocorre na Europa é uma guerra entre as potências da luz e as potências das trevas, mas isto não é mais certo agora que durante a primeira guerra mundial.

É uma guerra entre duas espécies de Ignorância… O olho do yogue não vê somente os acontecimentos exteriores e os personagens e as causas exteriores, senão também as poderosas forças que precipitam-nos à ação.

Se os homens que combatem são instrumentos que se encontram em mãos dos chefes de Estado e dos financistas, estes, por sua vez, são simples fantoches que se encontram nas garras de forças ocultas.

Quando se adquiriu o hábito de contemplar as coisas até o fundo, já não se inclina alguém comover-se pelas aparências nem se quer esperar que as mudanças políticas ou sociais, ou as mudanças de índole institucional, possam pôr remédio à situação.

Em 1942 Sri Aurobindo escreveu a um discípulo:

“Afirmo fortemente a você que esta é a guerra da Mãe. Você não deve pensar nela como a luta de certas nações contra outras; é a luta por um ideal que tem de ser estabelecido na terra, na vida da humanidade; é a luta por uma verdade que ainda tem de ser realizada plenamente e contra uma escuridão e falsidade que estão tentado dominar a terra e a humanidade no futuro próximo. São as forças atrás da batalha que devem ser vistas e não esta ou aquela circunstância especial.”

E continuou:

“É uma luta para desenvolver a liberdade da humanidade, por condições nas quais os homens tenham liberdade e espaço para pensar e agir de acordo com a luz que existe neles, e crescer na Verdade, crescer no Espírito. Não pode haver a menor dúvida de que, se um lado vence, será o fim dessa liberdade e da esperança de luz e verdade, e o trabalho que deve ser feito (de ajudar a humanidade a evoluir) ficará sujeito a condições que o tornariam humanamente impossível. Haverá um reino de falsidade e escuridão, uma cruel opressão e degradação para a maior parte da raça humana, tais como as pessoas da Índia nem sonham e nem podem ainda perceber.”

Forças Asúricas e a Batalha Bem x Mal

Sri Aurobindo e a Mãe disseram repetidamente que Hitler era possuído por uma emanação de um dos grandes Asuras, “o Senhor da Falsidade”, que chama a si mesmo de “o Senhor das Nações”, e que ele agia como seu instrumento.

“O problema é salvar o mundo da dominação das Forças Asúricas”, disse Sri Aurobindo em setembro de 1939. “Seria terrível ser dominado pelos nazistas ou fascistas. Sua dominação traria sobre a humanidade o que são chamados de os Quatro Poderes do Inferno – obscurantismo, falsidade, sofrimento e morte. Sofrimento e morte significam os horrores da guerra.”

Os quatro grandes Asuras, dos quais Sri Aurobindo e a Mãe sempre falaram com respeito, eram o contrário, no começo da evolução cósmica, dos atributos divinos essenciais que são Luz, Verdade, Vida e Felicidade.

Hitler foi guiado pela visão inspirada a ele por seu Senhor, e aquela visão compreendia o mundo todo. Para ele, os arianos alemães eram a raça mestre, que tinha o dever de submeter todos os outros povos e governar a Terra. Ele, Adolf Hitler, era o Messias alemão, enviado com a missão de guiar seu povo em direção a uma idade de ouro, o Império de Mil Anos. Como os alemães eram o Povo Escolhido, não havia lugar para outro povo que se proclamasse ser escolhido, como os judeus, que tinham portanto de ser eliminados por quaisquer meios.

As aquisições humanas da inteligência, liberdade individual e fraternidade social, junto com as virtudes da alma, não mais tinham importância. Elas tinham de ser substituídas pelas qualidades do poder, força física, crueldade, insensibilidade e outras atitudes que favoreceriam a dominação global dos arianos brancos.

Como cada Deus contém em si mesmo todas as outras qualidades de todos os outros Deuses, assim também cada Asura contém em si mesmo todas as qualidades antidivinas dos outros Asuras. Falsidade, ignorância, sofrimento e morte nunca existem separadamente, embora possam ser dominantes de acordo com as circunstâncias. Na Índia os seres que são estes poderes são conhecidos como “Asuras”, os poderes cósmicos antidivinos que dizem ser mais velhos que os Devas (Deuses) e que lutam contra eles pelo tempo que a Divina Providência permite ou julga necessário.

Esta batalha entre as Forças do bem e do mal é o tema principal da mitologia de todos os povos. No Ocidente os mesmos quatro flagelos são conhecidos como “os Quatro Cavaleiros do Apocalipse”.
Isto nos leva diretamente a Hitler, agindo sob a inspiração do Senhor da Falsidade, e o pano de fundo da Segunda Guerra Mundial que necessitou da intervenção direta de Sri Aurobindo e da Mãe. É a intenção dos Asuras, ainda senhores da evolução terrena, manter seu reino sobre a Terra e todos os seres sobre ela, pois sua existência depende dessa dominação.

A batalha entre os Asuras e os Deuses tem sempre sido, em essência, uma luta a respeito da possibilidade de evolução sobre a Terra. Os Asuras querem manter as coisas como estão, pois eles prosperam na escuridão e ignorância; os Deuses querem construir o caminho da evolução que, da escuridão e ignorância, levará de volta à Luz, Verdade e Bem-aventurança Divinas. A humanidade alcançou o ponto crítico de transformação num ser divino, supramental, superior.

Esta transformação é a causa do trabalho de Sri Sri Aurobindo e da Mãe. A sequência de guerras mundiais quentes e frias do século XX, vista nessa luz, adquire um significado que explica os enormes atos de destruição e morte, e até mesmo a ameaça de extinção da humanidade. Além disso, nossa era pós-moderna é uma época de confusão.

O que quer que aconteça na história, disse Sri Aurobindo sobre o progresso do mundo que “voltar é impossível, a tentativa é sempre, realmente, uma ilusão”. Mas neutralizar a única possibilidade de progresso agora presente na humanidade era precisamente a intenção do Senhor da Falsidade que, em primeiro lugar, causou uma onda de anti-iluminação e anti-intelecto, chamada fascismo, e que, em segundo lugar, inspirou Hitler com programa similar.

Disse Sri Aurobindo na época, “Na guerra, o lado de Deus é o lado espiritual. A Alemanha de Hitler não é o lado de Deus. É o lado dos Asuras, que objetivam a dominação do mundo. É a descida do mundo Asúrico sobre o humano para estabelecer seu próprio poder sobre a Terra. Hitler não queria manter em movimento a roda da história, ele queria voltá-la para trás”.

Hitler escreveu em seu livro: “Se a natureza não deseja que indivíduos mais fracos convivam com os mais fortes, ela deseja ainda menos que uma raça superior se misture com uma inferior, porque em tal caso todos seus esforços, através de centenas de milhares de anos, a fim de estabelecer um estágio evolucionário superior podem ter sido fúteis. Minha pedagogia é impiedosa. O que é fraco deve ser esmagado. Quero meus jovens fortes e belos, dominadores e corajosos. A livre e magnífica fera que se alimenta de carne deve brilhar em seus olhos. Deste modo, apago os anos de domesticação humana e obtenho o puro e nobre material da Natureza. E serei capaz de criar o que é novo.”

A Alemanha se tornou uma sociedade uniformizada, exercitada, militarizada, que seria “o punho do Fuehrer” e “a espada de Deus” (Hitler sempre se convenceu de que estava cumprindo fielmente as instruções de seu “Deus”). A Alemanha se tornou o estado nazista rígido, armado, agressivo, formidável. Mas “uniformidade é morte, não vida”, escreveu Sri Aurobindo, para quem a liberdade individual era um princípio absoluto sem o qual o verdadeiro crescimento é impossível.

A maior parte das pessoas não sabiam o que Hitler realmente pretendia, não percebiam que se não pertencessem à raça branca ariana dominadora, teriam de polir suas botas. Especialmente as raças não-brancas, taxadas como animais, era objeto de seu desprezo. O tratado com os japoneses foi apenas uma questão de oportunidade, pois diziam os nazistas por trás que eles eram um tipo de macacos amarelos.

Quando Hitler estava no auge de seus poderes, em 1940 e 1941, ele tinha, de acordo com Sri Aurobindo, “cinquenta por cento de chance de ser bem sucedido”. Sri Aurobindo diz claramente: “Ele é o inimigo de nosso trabalho”. E nos dias dos maiores triunfos de Hitler, Sri Aurobindo disse: “Não há chance para o mundo a menos que algo aconteça na Alemanha ou então que Hitler e Stalin lutem entre si”. E também: “Agora apenas a morte de Hitler pode salvar a situação.”

Esboçando os movimentos táticos de Hitler em outubro de 1940, Sri Aurobindo comentou: “Então Hitler vem para a Ásia Menor, e isso significa a Índia”. Aquela movimentação de Hitler através dos Bálcãs e do sul da Rússia, por um lado, e através do norte da África, por outro, pretendia alcançar a Índia, o que está agora abundantemente documentado. Se Hitler tivesse vencido, a evolução do mundo, em seu mais crítico estágio, teria sido voltada atrás “por séculos, se não por um milênio”.

Agora a Índia está livre, as nações asiáticas ocuparam seus lugares entre as nações do mundo, o mundo está evoluindo, a espiritualidade da Índia está penetrando na mente do Ocidente, e as estradas para o futuro, quando o homem se tornará um super-homem, permaneceram abertas.

Guerra e Transformação, segundo “A Mãe”

Poucos sabem do papel que “o sábio de Pondicherry” e sua companheira, a Mãe, tiveram para tornar tudo isso possível. Sri Aurobindo, em seus poemas autobiográficos, fala sobre seus ferimentos que foram “mil e um”, causados pelos ataques dos “Reis Titãs”. Ninguém soube de suas batalhas, exceto quando num tal ataque sua coxa foi quebrada. Ninguém soube ou sabe sobre o trabalho sobre-humano que Sri Aurobindo e a Mãe fizeram pelo mundo.

Quem foi Mira Alfassa, “A Mãe”  (1878 – 1973)

Artista e musicista francesa, continuadora do trabalho de Sri Aurobindo, organizou e conduziu a comunidade do Sri Aurobindo Ashram. Realizando na prática a visão do Mestre, formulou os princípios de uma Educação Integral. Em seus últimos anos, vivenciou e descreveu processos de transformação do corpo físico, descobrindo e experienciando a Consciência Celular e sua abertura e permeação pela consciência mais alta, assim desbravando um caminho para a supramentalização integral do ser.

Esteve na Índia em 1914, quando conheceu Sri Aurobindo. Retornou à França durante a 1ª Guerra Mundial e voltou definitivamente à Índia em 1920, criando juntamente com Sri Aurobindo o “Sri Aurobindo Ashram”. Em 1924, com a retirada de Sri Aurobindo a um aposento do Ashram, A Mãe tomou a direção prática da comunidade, que conduziu até sua morte. A Mãe ocupou-se em explicar o pensamento de Aurobindo aos discípulos em termos simples, ocupou-se em orientar e coordenar as diversas atividades do Ashram, e também a desenvolver um trabalho interior na busca dos ideais de Sri Aurobindo. Deixou também muitos trabalhos escritos, resultados também de suas vivências interiores.

 

Perguntaram à Mira: Você disse: “O mundo todo está num processo de transformação progressiva.” Então por que os homens lutam entre si?

Ela respondeu:

Talvez este seja seu modo de progredir! (risada) Você não progride sempre de modo aparentemente harmonioso. Todos que fazem yoga sabem que não é uma coisa que sempre segue em paz e harmonia, e que às vezes existem batalhas interiores, você tem que combater inimigos dentro de si que querem evitar seu progresso. Isto significa guerra.

Você não deve crer que o progresso espiritual consiste em sentar e meditar! Existem dificuldades a serem conquistadas. E isto significa lutar contra algo. Existem pequenas guerras, existem grandes guerras; além disso o que é esta guerra dos homens sobre a Terra, vista por exemplo pelos Titãs para quem os homens não são maiores que formigas? Quando você olha numa luta entre formigas, você a acha muito natural! Você pode até mesmo olhar com interesse e sorrir e dizer: “Olhe, as formigas estão lutando!”

Bem, para as forças titânicas do universo, os homens lutando sobre a Terra são como formigas lutando, isso nada significa. Não julgue de acordo com a medida da consciência humana.

Para o homem, a Natureza é uma coisa monstruosa. Ela é tão formidável, todas as forças à sua disposição, todos os movimentos que ela cria. E o que sabemos é apenas o que acontece na Terra! Pelo conhecimento especulativo, você imagina o que acontece no resto do universo; mas estes conflitos e jogos das forças são formidáveis em proporção à consciência humana. Estas coisas, comparadas à duração humana, duram quase eternamente.

Portanto, imensidão no tempo, imensidão no espaço, isso para a consciência humana é algo quase incompreensível. Mas para essas forças, as dimensões e movimentos humanos têm quase a mesma proporção (ou talvez ainda menos) que o mundo das formigas para nós.

 

Solução Supramental

Sri Aurobindo havia cobrado consciência dessas “enormes forças” ocultas e da infiltração constante do supra-físico no físico; suas energias não se desenvolviam já em volta de um problema moral, cansado depois de tudo – violência ou não-violência – senão ao redor de um problema de eficácia; e via claramente, também por experiência, que para curar o mal do mundo é preciso curar primeiro “o que no homem encontra-se na base” e que nada se pode curar fora se não se cura primeiro desde dentro, porque é a mesma coisa; não se pode dominar o externo se não se domina o interior, porque é a mesma coisa; não se pode transformar a matéria externa sem transformar nossa matéria interior, porque é também e será sempre a mesma coisa; não há senão uma Natureza, um mundo, uma matéria, e enquanto queiramos proceder ao revés, a nenhuma parte chegaremos.

E se parece-nos que o remédio seja difícil, então não resta nenhuma esperança para o homem nem para o mundo, porque todas nossas panacéias exteriores e nossas morais de água de rosas estão condenadas ao nada e à destruição em mãos dessas potências ocultas:

A única solução – diz Sri Aurobindo – encontra-se no advento de outra consciência que já não será joguete dessas forças, senão mais poderosa que elas, e que poderá obrigá-las a mudar ou a desaparecer.

Para esta nova consciência – Supramental – encaminhava-se Sri Aurobindo em meio de sua própria ação revolucionária. E sua determinação não podia ser outra mais que conquistá-la ou perecer na tentativa.

 

Compilado a partir de:

  1. http://www.casasriaurobindo.com.br/a_casa/historico/sriaurobindo.htm
  2. http://ensinamentos-esotericos.blogspot.com/2015/12/sri-aurobindo-e-segunda-guerra-mundial.html
  3. http://www.casasriaurobindo.com.br/a_casa/historico/amae.htm
  4. http://ensinamentos-esotericos.blogspot.com/2013/12/guerra-e-transformacao-mae-do-sri.html
  5. http://www1.asegundafundacao.com/index.php?option=com_content&view=article&id=86%3Ao-espirito-revolucionario&catid=35%3Afundacion&Itemid=34

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